A vaca do Bill é uma vaca muito bonitinha, muito viva e animada. Todos os dias ela faz muuu, e dá leitinho fresco para o Bill beber. O Bill não seria ninguém sem a sua vaquinha.
Bem Vindo à quinta do Bill, Bem vindo à quinta do bill, Bem vindo à quinta do Bill..... onde a felicidade se multiplica por mil. Lá ia ele cantarolando pelos seus montes adentro,seguindo o mesmo percurso de sempre. O seu caminho matinal ia desde o seu dormitório até ao celeiro. Pelo meio dava um olá às senhoras galinhas, na capoeira, e um hihihihihi...tudo bem!! Ao cavalos e éguas do estaleiro.
Não se pode dizer que ele não fosse um rapaz sociável, sempre com a sua boa disposição matinal, mesmo com a sua idade avançada, um novo dia era sempre uma nova aventura.
Muagga.... As orelhas de Bill ergueram-se em sentido com este som... parecia uma réstia de um mugido, mas não o mugido que ele estava habituado a ouvir. Algo está mal com a minha flôr. Para o celeiro! Gritou consigo mesmo..... e desatou a correr.
Com a respiração ofegante e uma pontada de dôr de burro, viu-se obrigado a fazer uma pausa nas “boxes”, 10 minutos depois de ter começado. Com as costas curvadas, e os braços apoiados nos joelhos, constatava que já não tinha a resistência de outros tempos. Contudo a sua pétala preferida continuava à espera de ser resgatada, isso era indesculpável pela sua própria consciência. Teve de se fazer à estrada, mesmo antes de encher o tanque de combustível e reparar os pneus. Tal não era a sua pressa de chegar.
Estou a caminho!! Berrava em plenos pulmões ao mesmo tempo que corria que nem um desvairado, esquecendo-se completamente da sua fraca condição física. Deixando para trás o facto de que tinham sido problemas respiratórios, a razão pela qual ele tinha trocado a poluída cidade pelo ar puro do campo. Cavalgando montado nas suas próprias pernas, ele subia e descia, monte atrás de monte, nas sua herdade de hectares e mais além.
Apesar de cada vez mais perto, a façanha parecia mais e mais impossível. Agora, cada segundo passava como um hora. Mas o Bill nunca desiste, ele sabe que a parte mais forte do seu corpo é a cabeça, enquanto essa nãoe stiver cansada, tudo o resto vai continuar a funcionar.
Celeiro à vista!!! Disse entusiasmado, mas eis que um novo obstáculo surge. A tábua de madeira que ele usava como rudimentar ponte para atravessar o rio seco, não estava lá. A tempestade da noite anterior tinha-a empurrado para o fosso. A distância entre as duas margens do rio eram sensivelmente4/5 metros. Bill, sem pensar duas vezes, deu uns quantos passos atrás, para ganhar balanço, e aqui vou eu... Saltou esperneando-se pelo ar, fazendo o melhor que sabia . Em tempos, ele teria feito isto com uma perna atrás das costas, contudo, naquele dia, o melhor que conseguiu foi pousar a ponta dos pés no outro lado, ficando assim numa situação de muito pouco equilíbrio. Por breves instantes sentiu que tudo tinha corrido bem, infelizmente ainda tinha um grande lição para aprender. Uma tempestade com vento também traz chuva. A água da chuva molha a terra seca, dando-lhe uma composição mais mole e frágil. Com esse tipo de terreno, não é de todo aconselhável estar numa posição de equilíbrio instável. Invariavelmente dada as circunstâncias imutáveis da física, ele viu o espaço que sustinha a pouca superfície dos seus pés a desmoronar-se com se fossem areias movediças.Em câmara lenta ele assistiu e presenciou a sua própria queda. Uma queda aparatosa e decididamente dolorosa. Caiu de costas desamparado, batendo inicialmente com o coxis e de seguida com a cabeça num terreno impermeável há gerações.
Com os braços e pernas estendidos em forma de crucifixo, Bill estava no seu limite, decididamente, não se ia levantar tão cedo, pensava para os seus botões. Fosse o que fosse, a sua princesinha de quatro patas iria ter que se arranjar sozinha, nada mais ele conseguiria fazer. Custou-lhe imenso, mas aceitou a derrota.
Quase que como resposta a esta rejeição por parte do seu dono, um novo MUAGGG!! Este ainda mais alto que o anterior, faz-se ouvir por toda a quinta. Este novo grito de socorro funcionou melhor que mil cafés misturados com redbull. Bill reanimou-se por milagre, esqueceu as dores e de um salto só, levantou-se pronto para continuar a cruzada.
Olhou para cima e constatou que nunca iria conseguir trepar o rio, não havia volta a dar. Contudo, sabia também, que o rio era mais baixo a uns dois ou três quilómetros dali. Se quisesse sair teria de ser por lá. Sem medo de enfrentar mais um desafio, pôs-se em marcha, com o mesmo ímpeto de sempre.
O resto do caminho, fora o cansaço, correu na perfeição, Bill fez 3 km de desvio para sair do rio e mais 3 para voltar à margem de onde tinha caído. Desse ponto até ao celeiro era somente um pulinho, nada de mais.
Ahhh...quase que me ia esquecendo de dizer, no final, quando o Bill ia abrir a porta larga do celeiro. No grande momento de reencontro com a sua mais querida, onde finalmente saberia o que se passava com a sua amiga de estimação................Parou subitamente de respirar e caiu,desta vez de frente, à porta do celeiro.
Foi um ataque de coração que acabou com o nosso Bill. Ele fez demasiado esforço, o seu corpo, já cansado de muitas décadas de vida, não aguentou. Como diz o ditado, “A IDADE NÃO PERDOA”.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
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