domingo, 9 de março de 2008

Constatações

Tudo começa pela desintegração daquilo que nos controla e que por isso está mais viciado que tudo o resto, no nosso sistema. O poder de aplicar e manter a lei de modo coercivo se necessário termina. O empregado da loja não sabe a quem telefonar quando alguém rompe a montra e leva a nova PS3 cheirando ainda a nova, ninguém vai chatear o condutor de pé pesado que mais uma vez foi encadeado pelo flash da enorme rede de radares, o salário e subsídio de férias do pai de família não chegou este mês, mas ele também não pode reclamar disso, pois ninguém o obrigou a ir trabalhar. O caos? A anarquia? Ou simplesmente a liberdade total. A minha liberdade termina onde a tua começa”, alguém filosoficamente disse, mas sem a existência de uma constituição quem é que define até onde é que vão os meus direitos? E quem os protege? Parece-me a mim que neste caso específicos, os valores morais seriam a nossa constituição e a nossa consciência as forças que empunhariam a ordem, ou seja, Caos e Anarquia completas, pois seria uma nova oportunidade para todos os que estão em baixo e um desafio megalómano para os que estão por cima. Mas…..mais coisas se desintegrariam, o plano de vida, o dia-a-dia, o futuro seria incerto do princípio ao fim, no que pensar?. Será que haveria um retrocesso na nossa evolução (partindo do pressuposto que evoluímos)? Será que passaríamos a ser novamente caçadores nómadas, lutando pela subsistência, unindo-nos em tribos para assim sermos mais fortes? Ou haveria quem se preocupasse com a educação das gerações futuras, com a alimentação das bocas de todo o Mundo, com os termos de troca? O que aconteceria? Ninguém sabe, não dá para prever, mal dá para imaginar, o que se retira é a forma oleada com tudo funciona, bem ou mal, a estrutura por mais que oscile nunca vergou, apesar de muitas vezes não balançar para o sítio certo, mantêm-se sempre a baloiçar. Nada mais há a dizer, a não ser que queira-mos dar azo à nossa imaginação e criar um novo Mundo pós civilização como a conhecemos.

O que é para mim o comunismo

Aqui, e para tudo funcionar bem, só os melhores é que podem tomar decisões, não nos podemos dar ao luxo de possuir critérios de escolha como a família de onde vêem ou o dinheiro que possuem. Existe igualdade total para todos, todos têm as mesmas oportunidades, mas nem todos podem estar no topo, nem todos podem ser os melhores. Então, o que fazer com os que por uma qualquer razão não chegam lá? Adquirem o direito de ser chefiados pelos que provaram ser mais competentes que eles, e é neste ponto que nós damos um salto de gigante, pois para além de existir igualdade de oportunidades, todos recebem o mesmo. Só existe liderança natural, a aceitação e contestação dos factos é uma variável constante e democrática de quem estiver interessado a participar nela, a tomada de decisões referida umas linhas acima terá que ser obrigatoriamente baseada nesta mesma contestação, pois um verdadeiro líder nunca opta por caminhos seguindo o seu egocentrismo, ou baseando-se somente na opinião de poucos, o verdadeiro líder só o é porque tem a habilidade de encontrar verdades universais provenientes de axiomas opostos.

Tu estás por cima de mim porque por e simplesmente desempenhas esse papel melhor do que eu, e eu aceito e respeito isso. Aceito-o porque a minha vida não se limita a este tema, eu simplesmente faço-o para que consigamos todos viver com o que temos, pois o que eu quero mesmo é viver. Quero viajar, explorar, amar, dançar, rir e tudo o resto que me saiba bem, mas para isto tenho também de ter o meu sustento e não me posso descuidar de tentar ser o mais perfeccionista possível neste campo, pois a consciência social faz-me ver a importância da linha dividida ponto por ponto, fragmento por fragmento, do poder da sinergia e também do facto de que existem melhores e piores do que eu para desempenhar determinadas funções. O fundamental é conseguirmos nos conhecer a nós próprios, encontrar o papel que melhor vamos conseguir desempenhar na nossa sociedade e assim oferecer o melhor contributo possível para o melhor funcionamento desta. O primeiro ponto é este, o segundo é o de viver, se bem que os dois estão bastante interligados, ainda existe uma diferença significativa entre ambos. Chega de beneficiados e discriminados, será que é impossível a mentalização global de um bem comum, que é o sustento geral e igualitário de todos os constituintes da nossa sociedade? Para assim puder com a máxima frequência possível pôr de lado o trabalho e passar-nos também a preocupar um pouco mais com aquilo a que por vezes se chama de ócio, mas na realidade é a procura de prazer na vida. Há que trabalhar, mas também há que usufruir, e infelizmente a tendência é para o primeiro se sobrepor ao segundo. E porquê? Para conseguir mais lucros? Porque a diferenciação pelas qualidades ou dedicação merece ser recompensada? Não… as diferenças aceitam-se e são fundamentais, mas nunca devem ser recompensadas, porque a base de tudo partirá do facto de que todos se dedicam da mesma forma apesar de uns atingirem resultados acima da média e ocuparem lugares cimeiros (que em sociedades injustas seriam cargo de maior poder económico, político e de influência). Talvez não seja viável em termos económicos, talvez não seja possível devido à nossa mentalidade, mas não consigo deixar de pensar que tendo em conta o que conheço, é a forma mais possível de fazer o sonho acontecer.