quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Discurso

Foi lá que eu o vi... do alto da sua caixa de madeira, vestindo calças justas e camisa aberta, com os seus óculos fundo de garrafa que assentavam num nariz comprido e pontiagudo. Ele gesticulava-se e impunha a sua voz aos demais camaradas que por ali passavam. A sua testa salientava umas quantas veias nos momentos de mais emoção e o seu cabelo, fininho e grisalho, já só cobria a parte lateral e traseira da cabeça. Este foi o homem que me converteu, as suas palavras fizera-me ver tudo isto de maneira diferente. O seu discurso foi o seguinte:

“O 31 de Dezembro veio mais uma vez e com ele o início de um novo ano. Se bem que este novo ano , tem muito pouco de novidade e mudança. As eleições continuam a ir e vir, apesar de se darem novos debates e até surgirem novos partidos, os resultados continuam os mesmos. Os cargos políticos continuam a ser ganhos da mesma forma, o Marketing misturado com a manipulação e uma boa cultura de técnicas de venda, continua a ser o decisório das nossas urnas.

Contudo...verdade seja dita, poucos são aqueles que se interessam pela actual situação do Mundo e do nosso País. Sim! Porque interessarmos-nos por algo é muito mais do que simplesmente falar mal! Esse, creio eu, é a base e razão do problema. Quando eu digo do meu canto, “os políticos são todos iguais”, milhares acenam afirmativamente com a cabeça, como se uma verdade profunda e universal tivesse sido pronunciada.

Pois bem...Eu tenho uma pergunta, para cada um de vocês.....O que sabes tu de política para sequer opinares sobre o assunto? Tu, que passas horas infindas a venerar milionários atrás de uma bola; ou tu, que vives as novelas da televisão e de celebridades como se fosse a tua própria vida.As tuas prioridades mostram bem os teus reais interesses.A não ser que seja a fazer de treinador de bancada ou a comentar a traição de dois irmãos, numa história fictícia; eu não me lembro da última palavra construtiva que tenhas dito.

Estou seguro que a vossa resposta não será em nada diferente da passividade que vos caracteriza, mas já agora, tomarei a liberdade de vos tentar iluminar umas quantas velas.

Os votos num determinado partido não se fazem mediante preferências clubisticas, nem a vida sentimental do Sócrates merece o relevo inerente a uma capa de revista; toda esta rotineira e pouco significativa existência, a que muitos de vós chamam vida, não enriquece em nada o colectivo desta nação! Está é a verdade que todos nós observa-mos e sentimos.

Já há muito tempo que a humanidade deixou a ignorância e a estupidez para trás. Tu estás bem ciente da forte influência que os media e derivados têm em tudo aquilo que fazes, em todos os teus gostos e decisões. Vocês não são tão burros como se querem pintar, vocês são simplesmente uns inúteis, irresponsáveis, que se deixam arrastar pela maré, aceitando conscientemente todos os riscos e imprevistos que essa atitude acarreta.

Mas, tudo bem... quem sou eu para julgar o que quer que seja. Cada um tem o direito de escolher a sua própria vida, VIVA À LIBERDADE!! AVANTE A DEMOCRACIA! O que me revolta é como conseguem não ter vergonha de incessantemente falarem mal daqueles, que por melhores ou piores razões, são os únicos a disponibilizarem a cara para fazer algo.”

Ele promove uma ideologia que tem por base a reeducação de todas as classes. O objectivo é fazer com que todos nós sejamos auto-didactas e interessados pelo que concerne verdadeiramente o nosso presente e futuro. Para assim, podermos fazer decisões mais sábias e responsáveis, para podermos levantar-mos um escudo contra toda esta manipulação treinada. Desta forma melhores visões humanitárias surgirão e a justiça terá condições para ser mais e mais aperfeiçoada. Em suma dará azo a novas formas de governabilidade, novas e melhoradas alternativas.

- Esses discursos, já eu ouço há muito tempo, Rapaz. E garanto-te que esses senhores que por aí os andam a pregar, nenhum deles alguma vez saiu da cepa torta.

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